Somente estes serão lembrados noutro plano espiritual.
Vamos nos permitir e garantir que seremos eternamente felizes juntos.
Nada é por acaso.
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Entretanto, de todas as sugestões apresentadas, a mais polêmica foi o retorno da bandeira da descriminalização do comércio de drogas, reintroduzida pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho. Segundo ele, a liberação das drogas desoneraria o estado do combate e da repressão do tráfico de entorpecentes. Cabral acredita que a medida incentivaria ações sócio-educativas mais massivas e constantes, como forma de inclusão social.
Naquela ocasião, trazer o tema à tona, num momento de comoção nacional, foi encarado como um ato de puro oportunismo político, além de desrespeito a dor da família do menino. Mesmo assim, indiferente ou não, o tema sensibilizou a opinião pública. Foi rechaçada pelos segmentos mais radicais da sociedade e acolhida em braços esplendidos nas comunidades liberais.
O tema não é novo. No Brasil sempre se falou em abrir o mercado para o consumo de drogas ilícitas. Nos anos 90, chegou-se a surgir, em meio aos jovens de classe média, a descompromissada campanha intitulada “Legalize já”. Costumávamos ver em shows de rock ou aglomerações do gênero, faixas manifestando o apelo à liberalização, principalmente a legalização da maconha.
Em tese, essa tendência de vanguarda deseja introduzir o Brasil na galeria dos países maduros, como a Inglaterra, Holanda, Suíça, Austrália e em alguns estados americanos. Segundo especialistas, são sociedades mais evoluídas, onde as toxicomanias são consideradas doenças e não há controle de traficantes sobre o aparelho policial e político. Nesses lugares, é comum a distribuição de seringas aos viciados e áreas reservadas ao consumo em praça pública. Experimentar um modelo desse porte, no Brasil, consistiria numa quebra de paradigma sem precedentes e com resultados, no mínimo, imprevisíveis.
A justificativa do governador do Rio de Janeiro tem como base uma dura conclusão estatística: o patrocinador do narcotráfico é a própria vítima do sistema, ou seja, a classe média urbana. Segundo números da Secretaria de Segurança Pública do Rio de janeiro, mais de 70% do consumo de drogas é praticado por pessoas com renda mensal superior a dois mil reais. A pesquisa mostra também que são jovens entre 16 e 35 anos, na maioria estudantes e trabalhadores. Para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli, entidade que realizou a pesquisa, a maioria desses jovens ainda não desenvolveu o quadro de dependência química. Além disso, eles vivem com os pais, têm uma vida produtiva e um futuro promissor.
(Complemente a sua leitura com esta matéria da Revista Veja)
Ao assistirmos às notícias das recentes mortes produzidas pela PM carioca, fica impossível fugir da indignação que nos toma conta nessa hora. Dessa vez, as imagens mostraram policiais puxando o corpo do jovem inocente, vítima de 36 anos, para fora do carro, como um animal ensangüentado. Na ocasião, ouvi estarrecido o Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro dizer, com assombrosa frieza, que a ação dos policiais, ao revidar os tiros do suspeito, foi correta.
Um raciocínio que induz ao pensamento de que fica difícil acreditar em mudanças na Cidade Maravilhosa ou em alguma parte do mundo. Não consegui digerir como funciona a cabeça de um gestor público que tem a árdua, ou a impraticável, missão de garantir a vida dos cidadãos. Tenho a sensação de que os bons interesses são substituídos pelo desejo de vingança, de justiça imediata, de matança desenfreada, colocados em prática pela maioria dos pobres coitados dos policiais que duelam com a bandidagem todos os dias.
O secretário vociferou: “qual a polícia no mundo iria receber tiros sem revidar?”. Disse também que a polícia não existe para levar tiros, pois é o policial cidadão, como qualquer um. É óbvio que a polícia deve se proteger, mas é bom lembrar que um dos fardos da polícia é levar tiro, infelizmente. Todo policial sabe que deve arriscar a própria vida em troca da manutenção da ordem pública e da segurança da comunidade, como jurou à frente da Bandeira Nacional. Isso faz dele um cidadão especial, diferente dos demais, integrante de uma legitima categoria cuja missão é reconhecida e glorificada pela população, recebendo para tal o apoio irrestrito do Estado para o melhor cumprimento da suas tarefas.
Ninguém discute o tema “Morte de cidadão por lamentável escorregadela da polícia”, mas sim, “Polícia atira com critérios questionáveis”. A política de confronto publicamente preconizada pelo Secretário é, no mínimo, irresponsável. Deixa a população a mercê da sorte ou do azar, ao cruzar por um evento letífero a qualquer momento. É lamentável viver em permanente estado de insegurança, numa das cidades mais bonitas do mundo, dividindo espaço como balas perdidas e perigos de toda ordem.
RECEITA DE SEGURANÇA PÚBLICA