segunda-feira, 26 de março de 2012

Mulher centopeia.


Não consigo entender como uma pessoa pode ser feliz comprando uma bolsa. Já perceberam que estou falando de uma pessoa do sexo feminino, né? Não que nós, homens, não compremos bolsas; ou não nos sentimos felizes ao comprá-las, mas no caso das mulheres, a bolsa tem um significado que muito me intriga. Nem vou aqui falar dos sapatos, vetores insubstituíveis no universo feminino, mas eles, os sapatos, figuram numa categoria diferente, provavelmente na categoria centopédica! Pense comigo: um mês, 30 dias. Se você for uma pessoa muito extravagante, pode querer usar um par de sapatos diferentes por dia, isso equivale a 30 pares de sapatos em um único mês. Uau! Então, como pode o ser humano, que tem somente dois pés, possuir mais de 100 pares de sapatos, incluindo as sandálias, tamancos, botas, chinelinhos e pantufas? No meu cálculo, dá para usar mais de três tipos de calçados diferentes por dia e, a cada dia, mais três diferentes. Num mês, terá usado mais de 100 sapatos, sem repetir um sequer. Centopédico, não é mesmo?!
Voltando às bolsas. É difícil acreditar que não haja vida inteligente além das bolsas. Será que uma pessoa (a mulher) está condenada a viver presa num armário cheio de bolsas, para enfim ser feliz? Por que a maioria delas não colecionam selos, folhas secas, carros antigos? Por que não gastam dinheiro em algo producente, como realizar um projeto profissional? Acho mesmo que o problema vai além dos delírios de consumo de Becky Bloom. É algo indecifrável, inexplicável até por elas mesmas. Experimente e pergunte a uma mulher. Analise o que ela vai te responder. Um dia desses, minha esposa chegou em casa com um bolsa novinha, embrulhada num plástico transparente que ela, inocentemente, tentou esconder de mim. Ah! Filha da..., corri e a alcancei antes que ela escondesse o produto do crime no armário. _ Eliane! Você comprou mais uma bolsa? Olha seu armário? São tantas que não cabe mais nenhuma! Ela olhou pra mim, respirou fundo e disse com aquela cara, tipo: alôô! _Por acaso, você está vendo alguma bolsa branca aí? Contei. Vermelha, marrom, bege e muitas pretas. Realmente, ela estava certa, não havia uma bolsa branca. Perdoei. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dia de folga

Acho que preciso voltar a escrever. Me sinto tão só.Vou precisar de um Dia de Folga.

domingo, 27 de março de 2011

Cartas ao sabor do vento

Entrei numa fase em que acho tudo muito chato e sem brilho. É claro que para chegar até esse ponto, percorri mundos e experimentei ilusões que me permitiram chegar a tão infausta conclusão. Logo eu, que saiu daquele grupo de crianças felizes do subúrbio carioca de outrora. Moleque de rua, levado, que fugia das merecidas chineladas, refugiando-me na casa da árvore. Membro promissor de uma família tecnicamente ajustada para os padrões da época. Configuração clássica: com papai, mamãe, irmãos, primos, amigos de escola e tal. Depois cresci, estudei, namorei, casei e tive filhos.

Após uma jornada feliz, agora pra lá dos 40, acho tudo muito sem graça. Atribuo a essa fase nefasta, da qual espero me livrar em breve, a morte do meu pai, no final do ano passado. Ele foi prova de como a vida pode se tornar patética. Meu pai foi a famigerada ovelha negra dos seis filhos do Capitão Mello. Tal qual o pai, também foi fuzileiro, mas inapropriadamente aventureiro, e um tantinho irresponsável, inconseqüente e intempestivo: qualidades que não o impediram de defender o leite santo de cada dia. Personificou a figura do malandro carioca, falador, falastrão, que gostava de levar vantagem em tudo. Encarava com bom humor todos os percalços que o destino lhe proporcionou. Oito anos após perder a amada esposa, companheira de tantos e tantos anos, passou a viver com uma grave seqüela decorrente de um AVC isquêmico, que limitou parte dos movimentos do corpo e lhe roubou as propriedades da fala, da qual tinha grande orgulho.

Durante os 12 anos em que passou viúvo até morrer, meu pai viveu perdidamente triste, cabisbaixo, deprimido e, certamente, saudoso dos tempos em que brilhava nos campos de futebol de Éden e de toda a Baixada Fluminense. Dos tempos em que enchia o fusquinha de crianças para passar férias nas cidades de Vera Cruz e Miguel Pereira, berço de mamãe. Dos tempos em que chegava com balas e doces, e as arremessava de “avanço” para todos nós.

Sei que tais recordações são o motivo de tanta sorumbatice desses dias. Receio ter me transformado em um homem desencantado e um tanto receoso quanto a existência de um futuro benfazejo. Passei a acreditar que todo o processo pelo qual se ergue uma vida inteira está fadado a desmoronar como um castelo de cartas ao sabor do vento. O que me consola, às vezes, é contar com um tênue fio de esperança de que serão bem aventurados os homens que dominam a arte de empilhar cartas.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O leilão das almas

A tragédia da vez, ocorrida na região serrana do estado do Rio de Janeiro, nos choca pelas quinhentas e tantas vidas perdidas e pelo sofrimento de quem perdeu absolutamente tudo. Nessas horas, nossos problemas corriqueiros, pequenos e muitas das vezes inventados, contrastam com a incalculável dimensão da dor daquela população.

Inevitavelmente, momentos tristes como este nos deixam introspectivos, solidários... matutando sobre o valor das nossas árduas conquistas, como o nosso cantinho, a família, o trabalho etc. Apesar de fazermos questão de esquecer, estamos “subconscientemente” certos de que também somos potenciais vítimas do acaso. Um desastre de carro, uma bala perdida, a queda do avião... Enfim, convivemos com a latente possibilidade de algo ruim nos acontecer; por isso cuidamos da saúde e prevenimos acidentes todo tempo.

Quando Dona Ilair foi heroicamente salva pelos vizinhos, numa improvável operação de resgate, bem sucedida graças ao surgimento providencial de uma corda de comprimento e resistência perfeitos para ocasião, vimos que a “hora da morte” é algo realmente incompreensível à racionalidade humana.

Por que os homens dos Bombeiros – acostumados a salvar vidas – morreram soterrados, em vez de Dona Ilair, salva de ser levada pela forte correnteza, junto com seu cãozinho de estimação? Como se dá o leilão das almas? Quais as regras de mercado, as forças ocultas levam em conta, na hora de decidir por uma vida ou por outra? Uma alma vale mais que outra?

Sem querer fazer proselitismo oportunista, uma vez que estamos momentaneamente consternados pela catástrofe, proponho lançarmos uma laica reflexão sobre o leilão das almas. Quem são as verdadeiras vítimas, numa tragédia como essa? Quem morre ou quem vive? Enfim, o escolhido foi alma que teve a vida estraçalhada pela avalanche; ou quem não sobreviveu?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A Rede Social

Para quem assistiu A Rede Social, o filme sobre o Facebook, e não entendeu bulhufas ou ficou meio perdido, aí vai uma dica. Não se assuste com o volume de informações e com o aparente ritmo alucinado dos "geeks". Precisamos desmistificar muito do preconceito em torno da mal compreendida Tecnologia e Mídia Digital: dois termos que, só de ouvir, causam calafrios para os não iniciados.


Fui com a minha esposa, coitada, que saiu da sala de cinema com a expressão de ter acabado de voltar de uma viagem interplanetária. Com meu filho, que já faz parte da Geração Y (mais tarde eu explico o que isso significa), não foi de todo ruim. Para ele, Napster, seria uma marca de tênis da década de 90, até entender que se tratava de um serviço pioneiro de troca de arquivos mp3 pela Internet, que, em 2002, perdeu nos tribunais para as gravadoras o direito de funcionar.


Olha que curioso! A Internet (essa com a qual convivemos há 15 anos), embora recente, já está escrevendo, ou melhor, publicando a própria memória. O poeta Cazuza havia proposto um museu de grandes novidades. O tempo não pára! Isso me faz recordar uma cena em que Mark Zuckerberg compara o seu recém idealizado projeto “thefacebook” à moda, ao responder quando o sistema ficaria pronto. A sacada genial desse trecho da história consiste na máxima de que em Tecnologia o processo nunca se esgota, a cada momento muitos projetos são criados, outros tantos reformulados, pois quem “dita a moda” são os próprios usuários.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Pais e filhas

Logo no início do seu primeiro discurso feito após ser declarada eleita presidenta do Brasil, Dilma Rousseff faz uma espécie de apelo aos pais de brasileiras. Ela disse: “Eu gostaria muito que os pais e as mães das meninas pudessem olhar hoje nos olhos delas e dizer: sim, a mulher pode!”. A fala de Dilma nos remete ao pensamento de que ela se coloca como exemplo de determinação, de coragem e esperança a ser seguido por todas as mulheres que batalham por um espaço historicamente dominado pelos homens. Mais do que isso, com uma mulher na presidência, passamos a acreditar que o governo passará a dar maior prioridade à promoção de questões femininas, como cuidar da saúde de gestantes, orientar sobre o planejamento familiar, apoiar vítimas de violência sexual e, sobretudo, criar maiores oportunidades às mulheres no mercado de trabalho.

São prenúncios de uma nova Era para elas, sobre os quais as feministas de plantão não deveriam usá-los como bandeiras na guerra dos sexos contra a opressão machista. Acredito e torço para que a posição de mãe continue sendo ocupada exclusivamente por uma mulher; e a do pai por um homem. Assim entendo que alguns postos devam ser preservados, sobretudo aqueles cujo vigor inerente ao corpo masculino é importante, bem como naqueles onde a alma feminina se faz predominantemente necessária.

Numa nação que se diz democrata e numa sociedade que se quer moderna, o perfil profissional de cada posto de trabalho se define com o processo da livre concorrência. Parafraseando Darwin, a seleção natural se dará através do respeito ao direito de cada um a ter uma chance de demonstrar sua capacidade, em idênticas condições, sem qualquer tipo de favorecimento, independentemente da raça, credo, sexo e orientação (preferência) política e sexual.

Durante o discurso, uma rara demonstração de sensibilidade feminina se manifestou em Dilma, ao se referir ao seu pai político, Luís Inácio Lula da Silva, como o grande incentivador e merecedor de toda a gratidão pela vitória nas urnas. A mãe do PAC, como foi estrategicamente batizada em campanha pelo presidente, tornou-se a mãe de todos nós, brasileiros e brasileiras – pelo menos nos próximos quatro anos. Resta-nos saber se pai e filha, criador e criatura, irão fazer (juntos) um bom governo. Certamente Lula já olhou nos olhos da filha e disse: Dilma, você pode!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sob a influência do bem

Outro dia conversava com um amigo sobre forças ocultas que atuam nas pessoas. Para ele, que é um perspicaz contextador, nós vivemos influenciados pelo mal, onde a “coisa ruim” trabalha o tempo todo fazendo a cabeça das pessoas. Virei para ele e perguntei se não seria justamente o contrário. Propus a ele que encarasse a situação de outra forma: ou seja, pensar na possibilidade de o homem estar vivendo sob a influência do bem.

Concordamos com a tese de que o homem é perverso por natureza, tem vocação para fazer o mal. E se não fosse a influência do bem, viveríamos o mal permanente, e provavelmente nem humanidade haveria no planeta. Dizia a ele que esse negócio de mal era uma forma dos dogmáticos de plantão, como Igrejas e afins, que passam o tempo todo introjectando factóides na cabeça do povo, com o único objetivo dominá-lo. Vimos isso a todo instante. A última foi o Pastor Terry Jones pedir a seus trinta e poucos discípulos que queimassem o Alcorão no dia 11 de setembro, num polêmico protesto contra a construção de uma mesquita muçulmana ao lado do Marco Zero, em NY.

Essa dominação sobre os seguidores é bastante elucidativa na educação dos filhos. Quando o pai ou a mãe diz para o filho, não vai para a rua que o “homem do saco” vai passar e te pegar. Não vai lá que o “bicho papão vai te comer”. Essa coisa de botar medo, de supervalorizar o poder do mal não é de hoje, sempre foi feito com o motivo de impor os limites a quem não se quer perder o controle.

O homem é perverso por natureza. A tese do homem do saco é bastante viável, ainda mais hoje em dia. Mas o discurso manipulatório de que o mal reina é um artifício tão óbvio como a dos pais; e só quem é criança não consegue ver. Em vez de pensarmos somente no mal, a humanidade precisa enxergar o quanto o bem faz bem. Ele salva, ele cura, ele liberta, ele supera, ele corrige, ele lhe equipa de coragem necessária para enfrentar todo e qualquer mal.

terça-feira, 1 de junho de 2010

DIFERENTE

Queria que fosse de coração
Com o coração de quem ama

Queria que fosse com carinho
Com o carinho de quem acaricia

Queria que fosse de verdade
Com a verdade de quem não mente

Queria que fosse com vontade
Com a vontade de quem tem fome

Só queria que fosse diferente
Com a diferença de ser sempre igual

(Larry, 2 jun 2010)

domingo, 6 de setembro de 2009

Tardes chuvosas

Deu vontade de escrever. Uma tarde chuvosa de setembro, coisa rara de acontecer por essas bandas da região do país nessa época. Gosto de dias assim, bons para ficar em casa e alimentar sonhos de infância. Não sei, mas chuva me lembra o Rio de Janeiro, cidade onde vivi até os 23 anos. É claro que dias de sol também lembram o Rio, mas dias chuvosos, nublados, lembram coisas específicas, que nem sei muito bem como explicar, mas que me fazem sentir uma sensação gostosa, nostálgica. Folhas sobre ruas molhadas, silêncio, solidão, leitura, desenhos, dormir a tarde, ouvir Beatles, Clube da Esquina...

Chego a ficar triste, mas uma tristeza saudável, se é que é possível. Queria voltar no tempo e curtir isso, pois a vida anda tão corrida que nem tenho mais tempo de ficar assim, sonhando acordado, desenhando o futuro que, depois de 20 anos passados, certifico que não se cumpriu.

(pausa)

Suspeito que seja por isso que continuo gostando das tardes chuvosas.

terça-feira, 26 de maio de 2009

O piloto e o cozinheiro

Gerenciando habilidades e competências na ambiência organizacional

Na aviação militar, são comuns as operações aéreas em que um piloto de caça decola, para realizar determinada missão de ataque ao solo, sem saber muito sobre os elementos que motivaram a decisão do bombardeio. A ordem é dada dessa forma pelo entendimento de que, ao conhecer o processo por inteiro, o executor da missão pode deixar-se influenciar por informações subsidiárias que, em tese, interfeririam na qualidade do resultado ou comprometeriam a sua própria efetividade. Imagine, por exemplo, se o piloto, antecipadamente a sua decolagem, souber que o alvo é uma escola repleta de crianças.

Alguns gestores costumam adotar – para execução de determinadas tarefas – um estilo de comando que segrega o funcionário das demais partes do processo. É a forma compartimentada de gerenciar o trabalho. A ordem é dada ao funcionário sem que ele saiba para quê vai realizar a tarefa: depois é só juntar as partes e formar o todo. Entretanto, o ato de omitir informações sobre o propósito do empreendimento não constitui boa prática quando a situação requer mais brilhantismo por parte dos executores. Nesse caso, impedir que o funcionário tenha acesso a todas as informações a respeito da tarefa diminui a chance dele encontrar uma solução alternativa se, por acaso, não for bem sucedido na primeira tentativa.

Sonegar informações para um cozinheiro, deixando-o sem saber sobre o número de clientes há no restaurante ou qual o item do cardápio que fora escolhido, em muito compromete o preparo das refeições. Nesse caso, bem como em outras atividades profissionais, cujos atributos extras, como ter iniciativa, liderança e criatividade, são aconselháveis, melhor será o resultado quanto maior for o número de informações prestadas ao executor. Nesse aspecto, um estilo colaborativo, do qual o funcionário se sinta parte integrante do processo, torna-se mais adequado quando se pretende alcançar um resultado exitoso.

As instituições que exploram as potencialidades dos funcionários, tornando-os atuantes em todo o processo produtivo, costumam figurar nas listas das melhores empresas para se trabalhar. Nos critérios utilizados pela revista Exame, na pesquisa anual que escolhe os 150 melhores ambientes organizacionais, estão os seguintes quesitos:

1) ESTRATÉGIA E GESTÃO – Diz respeito aos mecanismos que a empresa utiliza para disseminar sua estratégia e fazer com que todos a conheçam e trabalhem de forma alinhada ao negócio.
2) LIDERANÇA – Avalia como as organizações vêm lidando com seu time de gestores. Analisa os treinamentos para liderança, a preocupação com a sucessão e as competências que a companhia busca para a formação de novos líderes.
3) CARREIRA – Identifica quais ferramentas a empresa oferece aos funcionários para que eles cresçam profissionalmente.
4) DESENVOVIMENTO – Revela o quanto a empresa investe na capacitação do pessoal e reconhece a importância da educação para a qualidade e continuidade do negócio e para o desenvolvimento profissional.

Em 2008, a Volvo do Brasil, empresa que fabrica chassis de ônibus, caminhões, motores e cabines, alcançou o primeiro lugar da Exame, por conta dos investimentos em Gestão de Pessoas. Através de uma política ousada de relacionamento, denominado Volvo Way, a empresa confia no autogerenciamento de equipe, como resultado do elevado grau de satisfação dos colaboradores e da ótima relação entre líderes e liderados. No mundo corporativo, recheados de cases, há também o celebre exemplo da Microsoft, a terceira na lista das 500 maiores companhias do mundo que mais investem em desenvolvimento humano, segundo a revista Financial Times.

Apesar de contarmos com bons exemplos, o modelo de administração colaborativa é pouco observável em muitas categorias de organização. Nos monopólios, onde a ausência de concorrência torna a administração mais acomodada e conservadora, predomina o estilo de liderança autoritário. Em órgãos governamentais, convivemos com lastimáveis casos de má gestão pública, onde pululam diversas ocorrência o nepotismo, corporativismo e apadrinhamentos. No meio militar, também há um engessamento no comando, perfeitamente compatível ao rigor inerente à natureza da atividade. Diz um jargão na caserna que ordem dada é ordem cumprida.

Sem perder de vista o binômio hierarquia/disciplina, há ocasiões em que se pode exercer uma gestão democrática. Não propriamente no calor da batalha, na atividade fim, na execução em si, como no caso do piloto de caça. Entretanto, na atividade meio, na hora em que se prepara a refeição, todos os ingredientes precisarão estar à mão do cozinheiro. Nesse estágio, quando será preciso avaliar todas as variáveis e esgotar todas as possibilidades, construindo prováveis cenários, o ato de gerenciar competências e habilidades dos colaboradores constitui-se inestimável valor para o êxito do empreendimento.

(*) Larry Mello é jornalista e aluno de Pós-Graduação de Gestão de Comunicação nas Organizações do UNICEUB

terça-feira, 14 de abril de 2009

Sabe tese?

Sabe tese, de faculdade? Aquela que defendem? Com unhas e dentes? Pois é, o escritor Mário Prata começa assim sua definição sobre o universo em torno deste temível trabalho acadêmico. Digo isso porque estou vivendo esse momento. A gente nunca sabe o tema que vai abordar. Quando me matriculei na Pós, estava mais interessado em saber da grade curricular, quais as matérias seriam ministradas ao longo do curso. A gente vai estudando Marketing, Gestão Estratégica, Comunicação Integrada e, lá pelas tantas, eis que chega a hora do projeto de monografia. Escolha o tema aí e o defenda. Mas como? Assim, na bucha?

Quem está na vida acadêmica, como eu, e ainda não pensou no tema da monografia, pode parar agora. É melhor prevenir do que remediar. Se eu tivesse que entrar em outro curso acadêmico agora, já iria levar dentro do meu estojo de lápis de cor a monografia pronta! Deixar pra cima da hora dá mais trabalho ou vai lhe custar um trocado comprando uma feita.

Para minimizar a minha aflição e colaborar com meus colegas formandos vou sugerir dois temas, jamais presenciados por alguma banca nesse país. Temas que gostaria de defender nos próximos cursos.

1) Por que o rico é bonito e o pobre é feio? Um estudo sobre a beleza nacional.
2) Quem vê cara, não vê coração: o poder dos estereótipos na construção da imagem pessoal.


E você? Já sabe o que vai abordar no seu projeto de pesquisa? Manda uma sugestão pra mim. Um grande abraço.

Leia abaixo o texto de Mário Prata. Este vale à pena:

Crônica publicada no jornal O Estado de São Paulo em 7 de outubro de1998.

Sabe tese, de faculdade? Aquela que defendem? Com unhas e dentes? É dessa tese que eu estou falando. Você deve conhecer pelo menos uma pessoa que já defendeu uma tese. Ou esteja defendendo. Sim, uma tese é defendida. Ela é feita para ser atacada pela banca, que são aquelas pessoas que gostam de botar banca.

As teses são todas maravilhosas. Em tese. Você acompanha uma pessoa meses, anos, séculos, defendendo uma tese. Palpitantes assuntos. Tem tese que não acaba nunca, que acompanha o elemento para a velhice. Tem até teses pós-morte. O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas, intrigantes. A gente fica curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos a fio. Aí ele publica, te dá uma cópia e é sempre - sempre – uma decepção. Em tese.

Impossível ler uma tese de cabo a rabo. São chatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para o julgamento da banca circunspecta, sisuda e compenetrada em si mesma. E nós? Sim, porque os assuntos, já disse, são maravilhosos, cativantes, as pessoas são inteligentíssimas. Temas do arco-da-velha. Mas toda tese fica no rodapé da história. Pra que tanto sic e tanto apud? Sic me lembra o Pasquim e apud não parece candidato do PFL para vereador? Apud Neto.

Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se autodecreta. O mundo pára, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o marido que se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta. E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa da tese. E, depois dadefesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que se preze, logo em seguida embarca noutra tese. São os profissionais, em tese.

O pior é quando convidam a gente para assistir à defesa. Meu Deus, que sono. Não em tese, na prática mesmo. Orientados e orientandos (que nomes atuais!) são unânimes em afirmar que toda tese tem de ser - tem de ser! - daquele jeito. É pra não entender, mesmo. Tem de ser formatada assim. Que na Sorbonne é assim, que em Coimbra também. Na Sorbonne, desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290. Em tese (e na prática) são 700 anos de muita tese e pouca prática. Acho que, nas teses, tinha de ter uma norma em que, além da tese, o elemento teria de fazer também uma tesão (tese grande). Ou seja, uma versão para nós, pobres teóricos ignorantes que não votamos no Apud Neto. Ou seja, o elemento (ou a elementa) passa a vida a estudar um assunto que os interessa em nada. Pra quê? Pra virar mestre, doutor? E daí? Se ele estudou tanto aquilo, acho impossível que ele não queira que a gente saiba a que conclusões chegou. Mas jamais saberemos onde fica o bicho da goiaba quando não é tempo de goiaba. No bolso do Apud Neto?

Tem gente que vai para os Estados Unidos, para a Europa, para terminar a tese. Vão lá nas fontes. Descobrem maravilhas. E a gente não fica sabendo de nada. Só aqueles sisudos da banca. E o cara dá logo um dez com louvor. Louvor para quem? Que exaltação, que encômio é isso? E tem mais: as bolsas para os que defendem as teses são uma pobreza. Tem viagens, compra de livros caros, horas na Internet da vida, separações, pensão para os filhos que a mulher levou embora. É, defender uma tese é mesmo um voto de pobreza, já diria São Francisco de Assis. Em tese.

Tenho um casal de amigos que há uns dez anos preparam suas teses. Cada um, uma. Dia desses a filha, de 10 anos, no café da manhã, ameaçou:Não vou mais estudar! Não vou mais na escola. Os dois pararam - momentaneamente - de pensar nas teses. - O quê? Pirou? - Quero estudar mais, não. Olha vocês dois. Não fazem mais nada na vida. É só a tese, a tese, a tese. Não pode comprar bicicleta por causa da tese. A gente não pode ir para a praia por causa da tese. Tudo é pra quando acabar a tese. Até trocar o pano do sofá. Se eu estudar vou acabar numa tese. Quero estudar mais, não. Não me deixam nem mexer ais no computador. Vocês acham mesmo que eu vou deletar a tese de vocês? Pensando bem, até que não é uma má idéia!

Quando é que alguém vai ter a prática idéia de escrever uma tese sobre a tese? Ou uma outra sobre a vida nos rodapés da história? Acho que seria um tesão.

sábado, 21 de março de 2009

A receita do sucesso

Olá, meus amigos.
Encontrei na Internet a Receita do Sucesso. É um texto do escritor indiano SurajaVibhu, intitulado Como enriquecer rapidamente, publicado em outubro de 2006, no site http://pt.shvoong.com/.

O sucesso de enriquecer rapidamente ou alcançar objetivos de vida requer duas coisas muito simples: 1) Que você saiba como fazer; 2) Que você então faça. É muito mais fácil tornar-se rico do que permanecer pobre. Aqueles que são pobres acham tudo muito difícil. E para o pobre tudo continuará sendo difícil. Para ter sucesso, suba um degrau por vez. Não espere ou tente alcançar o topo num único salto. Você não pode alcançar o sucesso por si mesmo. Precisa ser conduzido por pessoas que estejam dispostas a lhe ajudar. Este é um jeito muito mais efetivo do que tentar chegar lá sózinho.

O método mais importante que você deve aprender é: 1) Faça tudo que tiver que fazer; 2) no momento que tiver que fazer; 3) gostando ou não de fazer. Todos os métodos comprovados de sucesso, usados por homens e mulheres da nossa historia que alcançaram grandiosidade, riqueza, poder e fama – eram métodos simples, práticos e comuns. Não existe nada difícil ou complicado em ser bem sucedido – ter sucesso é simplesmente saber como se faz – então fazer uso constante daquilo que aprendeu.

O caminho garantido para o sucesso é usar os mesmos métodos usados por aqueles que comprovaram métodos que os levaram ao sucesso. Quanto maior o sucesso deles, mais seguros os seus métodos. Você começará a enriquecer rapidamente quando aprender e fazer uso do fato de que o sucesso em si é uma matéria de estudo específica, como a Matemática, a Física, a Fisiologia, a Química ou qualquer outra matéria de estudo já ensinada.

A razão das pessoas alcançarem sucesso devagar é porque se concentram em melhorar suas habilidades no trabalho. O fato é que tornar-se mais habilidoso é apenas um dos métodos comprovados de sucesso. Certamente ele é necessário e importante para seu trabalho, mas ainda assim é apenas um dos métodos existentes. A chave para enriquecer rapidamente está em tornar-se uma pessoa mais útil e portanto mais valiosa para mais pessoas – incluindo a sua família e a si mesmo.

O único jeito de você ganhar mais é merecer mais. O único jeito de você merecer mais é ser mais útil. Quanto mais útil para mais pessoas, mais bem sucedido e indispensável você será. Ser indispensável se faz cada vez mais importante nesses tempos de rápidas mudanças provocadas pela automatização e computadorização.

Mas existem certos tipos de serviços que não podem ser substituídos pela automatização e computadorização. São eles: 1) Gerenciamento; 2) Pessoas com idéias voltadas para o melhoramento; e 3) Lidar com as pessoas.

Você pode ficar muito rico apenas resolvendo seus problemas e então construíndo uma carreira para resolver os problemas dos outros. Aqui está o segredo para resolver problemas; todo problema contém em si as sementes da sua prórpria solução. Encontre-as e enriqueça resolvendo este e outros problemas.

Aqui a abordagem científica é primeiro desconfundir o problema. Então calmamente remover cada um de seus componentes e examiná-los cientificamente para aprender como podem ser usados de forma beneficial. Desde que a vida consiste principalmente de problemas, você enriquecerá na medida em que tiver sucesso na solução de seus problemas e dos problemas dos outros – sendo um verdadeiro profissional no campo da resolução de problemas. Seja aquele que apresenta idéais de melhoramento e você receberá os creditos por isto. Você será promovido, ficarará famoso e enriquecerá rapidamente.

Construa uma carreira visando descobrir aquilo que está errado e o que fazer para consertar, e você enriquecerá rapidamente. Se você construir uma carreira procurando descobrir aquilo que as pessoas querem e fornecer a elas por um preço justo, você enriquecerá rapidamente. Lembre-se de que a pessoa que está sempre melhorando algo é aquela que recebe o crédito, é promovida, fica mais rica e talvez até mesmo famosa.

Uma única idéia pode torná-lo rico. Uma dúzia de idéias farão você enriquecer ainda mais rápido. Pense em idéas de melhoramento para a Companhia, tais como: 1) Redução de custos; 2)Economia de Dinheiro; 3) Aumento de vendas; 4) Aumento de produtividade; 5) Aumento de lucros, etc.

Para ter boas idéias tente os seguintes métodos. Yogui, que é o método em que você se mantém sentado e imóvel, sem olhar para qualquer coisa em particular. Nessa posiçao você faz uma hora de silêncio, permanecendo com a mente aberta para receber as idéias que vierem, sem tentar buscá-las – apenas esperando pacientemente por elas. Uma variação do método yogui é sentar-se no chão de um quarto escuro e olhar fixamente para a chama de uma vela – esperando por idéais.

Outro método é meditar na solidão e imensidão das montanhas ou em outros lugares onde haja beleza e inspiração. Uma idéia é o começo de tudo. Ela poderá ser modificada durante o seu processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento. Mas, no começo, é preciso que hajam idéias. Melhore produtos, métodos, e melhore a si mesmo.

Uma idéia não compartilhada não tem valor nenhum. O único jeito de você ganhar créditos, promoções, aumentos de salário, e obter outras recompensas pela criação de idéias voltadas para o melhoramento de algo é comunicar essas idéias. A comunicação de idéias requer três passos muito fáceis mas absolutamente necessários. 1) Pensar; 2) Anotar; e 3)Falar. Você enriquecerá rapidamente se for benvindo em todos os lugares que chegar. Seja um bom propagador de boas idéias e todas as portas se abrirão para você.

Esse texto é muito bom!

domingo, 8 de março de 2009

A alma do negócio


Nunca antes na história recente deste país ninguém precisou tanto de um carro zero. As mulheres nunca precisaram tanto de roupas, sapatos, bolsas e bijuterias. Os homens nunca tomaram tanta cerveja, assistiram a tantos jogos de futebol. As crianças nunca comeram tantas batatas fritas, hambúrgueres e beberam tanto refrigerante. Nunca se ouviu tanta música e nem tanta fofoca. Nunca se viu tanto filme, tanta novela e tanto Big Brother. Nunca se comprou tantos celulares, notebooks, TVs tela-plana, mp3, mp4, mp5... Nunca gastamos tanto e nunca estivemos expostos a tanta propaganda.

É evidente que a Publicidade presta um grande serviço à saúde da economia. Mais do que o trabalho de planejar campanhas de marketing, desenvolver propagandas e estratégias de mercado, a atividade assume grande relevância no processo de formatar o padrão de consumidores. A Publicidade identifica o perfil dos compradores e os coloca em verdadeiros pacotes, para atuarem em distintos nichos, com a tarefa de comprar e fazer circular o capital que alimenta a máquina econômica.

Ciência - Publicidade é uma atividade considerada sistêmica, científica, dinâmica, de ação continuada, massificante e arquitetada para disseminar o vírus do consumo, cujo princípio ativo é despertar no indivíduo a vontade, o desejo de possuir, de aparecer, de exibir bens e status, de ser partícipe de uma sociedade atuante.

O psicólogo americano Abraham Maslow desenvolveu um estudo sobre isso, denominado Teoria da Motivação. Para o cientista, as necessidades humanas são hierarquizadas, a partir das coisas mais urgentes para as menos urgentes. Dessa forma, a prioridade para todo indivíduo advém da necessidade fisiológica, como a fome, a sede e a não-dor. Depois, surgem outras carências, como a necessidade de segurança, seguida da necessidade social, do convívio em grupo.

Até então, para agir sobre essas necessidades, a Publicidade não despende muito esforço, pois esses estímulos são despertados automaticamente pelo próprio indivíduo. A partir daí surgem, segundo Maslow, as necessidades do ego e da auto-realização. Terreno fértil para a ação da Publicidade. A propósito, no filme Advogado do Diabo, a vaidade é o pecado favorito do diabo. "Vanity! Definitely my favorite sin". É pela vaidade que o diabo consegue seduzir as almas.

De fato, a Publicidade exerce sobre a mente humana um processo diabólico. Claro, que eu falo daquele gesto de “buzinar” no ouvido do pobre mortal, incentivando-o a cometer pequenos e grandes pecados. Tecnicamente, uma das definições da publicidade é a arte de exercer ação psicológica sobre o público com fins comerciais. A Publicidade não cria e nem muda comportamentos ou tendências, apenas rega a semente da plantinha do mal que todos já possuímos interiorizada.

Apesar de diabólica, a atividade não tem nada de maldosa. Muito pelo contrário. É importante para desenvolvimento do modelo de produção capitalista, no qual estamos inseridos e, portanto, sujeitos aos seus princípios e controles. O trabalho silencioso da Publicidade produz lucros estrondosos, com cifras freqüentando a casa dos bilhões. As empresas investem muito, pois o retorno é líquido e certo. Afinal de contas, a propaganda é a alma do negócio. No entanto, é bom deixar claro: ninguém precisa vender a alma para satisfazer os sonhos de consumo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O ser dominado


Os astros exercem influência sobre tudo. Júpiter na casa de Plutão proporciona momentos perfeitos para o amor, negócios e viagens. Quem acredita que o universo conspira a nosso favor? Dizem os astrólogos que os ciclos planetários regem os ciclos da natureza e da vida na Terra.

Disso eu não sei. É mais fácil digerir que pessoas exercem influência sobre pessoas. O pai sobre os filhos; o patrão sobre os empregados e a mulher sobre os homens são alguns dos exemplos ululantes da enternecedora relação entre poder e submissão.

E qual a origem de todo esse poder? A autoridade do pai sobre os filhos pode estar na mão pesada do velho. Do patrão sobre os empregados, na necessidade do salário. Da mulher sobre os homens, muito provavelmente, na “fraqueza da carne”.

A forma pela qual se processam as relações de dependência entre os casais merece um empírico e breve aprofundamento. Em primeira instância, enquanto o homem sustentar uma excitação pela amada prevalecerá dominação feminina. Em outras palavras, enquanto a mulher despertar o interesse sexual do seu par, ela permanece dona da situação. Isso porque o homem é capaz de fazer tudo para conseguir um chamego. É capaz de satisfazer caprichos dispendiosos e de submeter-se a longos e torturantes períodos de estio.

É claro que, num segundo momento, outras variáveis entram em cena e passam a orientar as ações do ser dominado. Como a sensação de segurança, o companheirismo, o conforto, o conjunto de todas essas coisas ou aquilo que ninguém sabe muito bem o que é, mas que unem amantes por anos e anos, até quando não se amam mais.

Assim como os astros determinam o período de plantar e colher, também é preciso ser um pouco astrólogo, aceitar e permitir ser regido pelo outro. Por isso, é bom lembrar que a liderança sobre o outro é momentânea e pode ser alternada. Haverá horas em que as circunstâncias se configuram desfavoráveis, forçando-nos a abrirmos mão de nossas vontades ou a nos sujeitarmos ao predomínio do outro. Vai ser melhor agir assim do que impor uma nova ordem aos planetas.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O perigo do trote.

Trote é um perigo. Quando inofensivas brincadeiras fogem ao controle e descambam para a violência são capazes de produzir danos irreversíveis, tanto a calouros quanto a veteranos. É aquela hora em que os mais “saidinhos” se aproveitam do momento de algazarra e euforia para ultrapassarem os limites da tolerância, hostilizando os próprios colegas.

Rituais de passagens são importantes no transcurso da vida de cada um de nós. Dão sentido lógico de que estamos evoluindo, crescendo enquanto seres humanos. Contudo, todo mecanismo social deve possuir regras de convivência com a qual faz com que a prática seja segura e saudável.

A irresponsabilidade e a necessidade de pertencer e ser aceito pelo grupo é inerente à personalidade do jovem. Junto a seus pares, o jovem sente-se mais fortalecido e animado a agir com mais desprendimento, permitindo-se ser mais arrojado, inconseqüente, propondo ações que são imediatamente aprovadas e encorajadas pela maioria.

Obviamente que a impetuosidade latente é própria da idade. É o momento da vida em que “ter atitude” é quase uma obrigação a quem deseja marcar território. Para tanto, deve-se impor-se sim: é legítimo. Não obstante, a briga por um espaço não deve ser feita de maneira desleal ou de forma a colocar em risco a integridade física, psicologia e moral do próximo.

Nesse sentido, o trote não gerenciado faz da balbúrdia ambiente propício para a formação de uma atmosfera onde o clima de animosidade se instala, sem controle e previsão de final feliz. Ainda que haja a relação liderança/subordinação, o evento é pautado pela inexistência de regras e de tribunais de apelação. Durante um trote, impera a lei do veterano mais assustador, ou seja, manda quem pode e obedece quem tem medo.

Trote é chave de cadeia. Sobra até para a direção da universidade. Seja na co-autoria das torturas e outras formas de violência, seja por omissão ou mesmo por inoperância do poder institucional. Noutra análise, trote pode ser a chave do sucesso. Como agente facilitador, atuando como parceiro dos alunos, a universidade pode coordenar e promover a festa dos calouros, para que tudo aconteça dentro de um cenário amistoso, inteligente e muito mais interessante.

Portanto, um trote responsável é viável. O aluno incorpora ao seu currículo a lembrança do dia producente que passou com amigos e a universidade agrega a sua imagem um valor imensurável de instituição responsável. Dessa forma, o único perigo para os alunos resume-se ao acidente de não passar de ano.

domingo, 5 de outubro de 2008

Viver é promover relacionamentos profundos.

Somente estes serão lembrados noutro plano espiritual.

Vamos nos permitir e garantir que seremos eternamente felizes juntos.

Nada é por acaso.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Não espere da vida nada mais do que um amanhecer, nada mais do que um pôr-do-sol.
Sinta-se contente por Deus lhe conceder uma chance a cada dia.
Não desperdice a oportunidade de tentar acertar novamente.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O futuro promissor das drogas

Logo após a trágica morte do menino João Hélio, em junho de 2007, no Rio de Janeiro, os governadores dos estados do Sudeste partiram para Brasília com o objetivo de pressionar à votação de leis ligadas à Segurança Pública. Na bagagem, levaram diferentes propostas para a diminuição da criminalidade dos centros urbanos. No geral, todos os governadores gostariam de gozar de autonomia para legislar sobre a matéria.

Entretanto, de todas as sugestões apresentadas, a mais polêmica foi o retorno da bandeira da descriminalização do comércio de drogas, reintroduzida pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho. Segundo ele, a liberação das drogas desoneraria o estado do combate e da repressão do tráfico de entorpecentes. Cabral acredita que a medida incentivaria ações sócio-educativas mais massivas e constantes, como forma de inclusão social.

Naquela ocasião, trazer o tema à tona, num momento de comoção nacional, foi encarado como um ato de puro oportunismo político, além de desrespeito a dor da família do menino. Mesmo assim, indiferente ou não, o tema sensibilizou a opinião pública. Foi rechaçada pelos segmentos mais radicais da sociedade e acolhida em braços esplendidos nas comunidades liberais.

O tema não é novo. No Brasil sempre se falou em abrir o mercado para o consumo de drogas ilícitas. Nos anos 90, chegou-se a surgir, em meio aos jovens de classe média, a descompromissada campanha intitulada “Legalize já”. Costumávamos ver em shows de rock ou aglomerações do gênero, faixas manifestando o apelo à liberalização, principalmente a legalização da maconha.

Em tese, essa tendência de vanguarda deseja introduzir o Brasil na galeria dos países maduros, como a Inglaterra, Holanda, Suíça, Austrália e em alguns estados americanos. Segundo especialistas, são sociedades mais evoluídas, onde as toxicomanias são consideradas doenças e não há controle de traficantes sobre o aparelho policial e político. Nesses lugares, é comum a distribuição de seringas aos viciados e áreas reservadas ao consumo em praça pública. Experimentar um modelo desse porte, no Brasil, consistiria numa quebra de paradigma sem precedentes e com resultados, no mínimo, imprevisíveis.

A justificativa do governador do Rio de Janeiro tem como base uma dura conclusão estatística: o patrocinador do narcotráfico é a própria vítima do sistema, ou seja, a classe média urbana. Segundo números da Secretaria de Segurança Pública do Rio de janeiro, mais de 70% do consumo de drogas é praticado por pessoas com renda mensal superior a dois mil reais. A pesquisa mostra também que são jovens entre 16 e 35 anos, na maioria estudantes e trabalhadores. Para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli, entidade que realizou a pesquisa, a maioria desses jovens ainda não desenvolveu o quadro de dependência química. Além disso, eles vivem com os pais, têm uma vida produtiva e um futuro promissor.

(Complemente a sua leitura com esta matéria da Revista Veja)

domingo, 21 de setembro de 2008

Nextstep

"Tudo que desejar de qualquer forma, não conseguirá de forma nenhuma.
Planeje seus sonhos."

"O próximo passo sempre será o primeiro para se chegar ao último".
Portanto, não se preocupe em calcular o número de passos que você vai precisar para alcançar o destino; preocupe-se em sair da inércia, dando o primeiro passo. Depois disso, o mundo deslizará sobre seus pés. Mas para não se machucar, desvie e pule os obstáculos.

"A vida é como autoestrada.
Se tem curvas, prudência.
Se só retas, sonolência".